
Num special do podcast State of Love & Trust, Mike McCready falou sobre Ten Live, o peso pessoal de Black e a vontade urgente de tocar de novo.
Trinta e cinco anos de Ten. Para um disco que redefiniu o rock americano dos anos 1990 e abriu as portas pra uma geração inteira de bandas, o número é carregado de significado. O podcast State of Love & Trust chamou quem melhor pode falar sobre esse legado: Mike McCready, a guitarra que assina as linhas mais reconhecíveis do álbum.
A conversa com Josh Evans e Eric Lilavois começou com um toque do presente. Mike contou que chegou recentemente ao London Bridge Studio esperando conhecer o novo baterista do Pearl Jam. A brincadeira que fez, "Não sou eu?", ficou no ar sem revelar nada sobre o nome do músico. O que ficou de concreto foi a confirmação de que há "um só show em programação" e a admissão direta de McCready: "Estou ficando impaciente e preciso fazer alguma coisa." A vontade de tocar é urgente.
O coração do special, porém, é Ten Live, a gravação do show de Filadélfia de 2016 em que o Pearl Jam tocou Ten completo e na ordem original. Foi só a segunda vez na história da banda nesse formato, depois do concerto histórico de Munique em 1992. Josh Evans, responsável pelo novo mix, explicou que o trabalho foi além da perfeição técnica: o objetivo era recriar a sensação de estar dentro daquela arena gigante. Ouvindo alguns trechos comentados no especial, a diferença em relação a um bootleg comum fica evidente.
Mike então mergulhou no que significa Ten depois de três décadas e meia, e como a relação dele com as músicas mudou ao longo do tempo. Black, em especial, virou algo profundamente pessoal. O guitarrista contou como aprendeu, nos anos que se passaram, a carregar no fraseado da guitarra tudo que viveu: as dores, os arrependimentos, as experiências que marcaram. O segredo pra chegar lá, segundo ele, é simples: não pensar demais. Deixar a música chegar.
E então tem Yellow Ledbetter. McCready lembrou que a música nasceu quase por acidente, de um riff que surgiu do nada, e que ele chegou a achar que merecia ter entrado no disco. Trinta e cinco anos depois, é um dos momentos mais aguardados nos shows da banda, o tipo de encerramento que o público já sente no ar antes de ele tocar a primeira nota.
A conclusão da conversa fecha o círculo: Mike olha pra Ten hoje com a consciência de quem passou 35 anos dentro desse legado e viveu cada um deles. Está orgulhoso de que o disco foi o começo de algo que durou tanto, e que ainda tem significado pra tanta gente. E sobre a razão de tudo isso: tocar ao vivo continua sendo, nas palavras dele, "o maior barato que já senti."
O especial completo está no YouTube via State of Love & Trust: A Pearl Jam Podcast, com muito mais histórias que só fazem sentido ouvindo direto da boca de McCready.
via PJ Online IT
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