
Em texto pessoal, Vedder conta como Who's Next sacudiu as janelas da sua casa com 9 anos e moldou tudo que viria depois.
A edição alemã da Rolling Stone publicou um ensaio escrito pelo próprio Eddie Vedder sobre The Who, como parte da série sobre os maiores músicos de todos os tempos. O texto é pessoal, honesto e funciona como um retrato de como uma banda pode transformar completamente alguém.
"The Who começaram como espetáculo e depois se tornaram espetaculares", escreve Vedder. A análise parte daí: a banda que no início queria destruir tudo, e que depois, em álbuns como Tommy e Quadrophenia, combinou aquela energia bruta com a precisão e a ambição de experimentos musicais de larga escala. Pete Townshend, para Vedder, era alguém que enxergou uma qualidade espiritual na música.
A primeira experiência de Vedder com The Who foi aos nove anos: um babá colocou Who's Next em casa, com os pais fora. "As janelas vibraram. As prateleiras balançaram. Rock and roll." A partir daí, ele passou a explorar uma música que tinha alma, rebeldia, agressão, paixão. E destruição.
Vedder não economiza nos elogios técnicos. Sobre John Entwistle: "um enigma, outra aparição virtuosa excepcional." Sobre Roger Daltrey: cantava "vulnerável, mas sem fraqueza, dúvida ou confusão. Não era um apelo por piedade." Sobre Keith Moon: "não dá pra explicar o jeito que ele tocava." E sobre Pete Townshend, visto ao vivo recentemente em Chicago: "vi ele arrancar sons da guitarra como um mecânico torce óleo de um pano. Vi a guitarra ganhar vida, uma criatura sendo espancada e estrangulada."
A grandeza de The Who, para Vedder, também vem com um peso: "Eles abriram cada porta do rock e nos deixaram só os escombros, não sobrou muito que pudéssemos chamar de nosso." Mas é exatamente isso que os torna insubstituíveis.
via Rolling Stone (Alemanha)
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