
Num papo com dois veteranos do Saturday Night Live, Eddie falou da Seattle onde ambição era malvista, da noite em que a banda tocou três músicas no programa e de um telefonema de Martin Short no meio da pandemia.
Eddie começou lembrando que se sentia nascido tarde demais. Aos quinze anos, fissurado na invasão britânica, lia sobre as terças-feiras no Marquee, sobre o Who, sobre Hendrix aparecendo e explodindo a cabeça de todo mundo, e achava que tinha perdido o período mais extraordinário da música. Segundo ele, acordou quase de um dia para o outro dentro de uma cena legítima, uma comunidade que se apoiava: Soundgarden, Alice in Chains, o Green River que virou Mother Love Bone que virou Pearl Jam, a metade do Green River que virou Mudhoney, os Fastbacks, o U-Men. E resumiu a cidade assim: "Em Seattle tinha uma coisa real: ambição era malvista."
A história do Saturday Night Live veio dos dois lados. Os apresentadores lembraram que a segunda aparição do Pearl Jam no programa teve três músicas numa noite só, coisa que quase nunca acontece. Eddie confirmou e contou como soube: ninguém avisou antes, e depois do ensaio geral, no intervalo, alguém apareceu e perguntou se eles queriam fazer mais uma. "Foi importante pra gente. A gente ficou tipo, caramba."
O motivo, esclareceu, não foi mérito da banda. Um dos quadros do programa tinha sido cortado para abrir espaço. "Não acho que foi pelo que a gente estava oferecendo. Foi pela falta de resposta boa dos esquetes." Os apresentadores confirmaram na hora: a gente fracassou naquela noite. Da primeira passagem, em 1991, ele guarda um Polaroid tirado no fim da noite com Jon Lovitz e Phil Hartman, que reencontrou há pouco tempo e disse ter sido forte de ver.
No quarto mês de pandemia, Martin Short ligou do nada só para saber como o jovem amigo estava. Eddie contou a verdade: estava frustrado consigo mesmo. Tinha largado o cigarro logo que a covid chegou, com o raciocínio de que aquilo era uma doença respiratória e ele ia acabar morrendo disso, mas quatro ou cinco meses depois o estresse trouxe um cigarro aqui, outro ali. Short perguntou se ele falava de maconha ou de cigarro. De cigarro, respondeu Eddie, e Short devolveu: "Ah, você ainda está esperando mais literatura sobre isso?" Segundo Eddie, aquele foi o último cigarro da vida dele, e logo depois alguém ali disse que talvez não tenha sido bem assim, mas que rende uma história melhor.
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