SÓ MAIS UM FÃ DE PEARL JAM

Num show do Triumph, ainda garoto, Dave Abbruzzese viu doze mil e quinhentas pessoas de punho erguido e ouviu a própria voz dizer: eu quero isso

· Fonte: Cápsula

Num show do Triumph, ainda garoto, Dave Abbruzzese viu doze mil e quinhentas pessoas de punho erguido e ouviu a própria voz dizer: eu quero isso

Na véspera de completar 25 anos, o prazo que ele tinha dado aos pais, Dave ligou para eles.

Em março de 2024, Dave Abbruzzese contou ao The Rock N' Roll & Coffee Show como decidiu, ainda criança, o que ia fazer da vida. O fim dos anos 1970 e o começo dos anos 1980, diz ele, foram um período incrível para um garoto com aquela obsessão.

Ele já tinha sido picado pelo bicho. Num dos primeiros shows da vida, na turnê do Back in Black, pulou a grade da pista e conseguiu tocar a perna de Angus Young enquanto Brian Johnson era carregado pela plateia. Viu Ted Nugent várias vezes, viu Van Halen, viu Journey.

A decisão veio num show da banda canadense Triumph, na Union Arena. O baterista, Gil Moore, estava no meio do set quando as luzes subiram sobre a arena, e Dave, mais ou menos no meio da quadra, olhou em volta e viu doze mil e quinhentas pessoas com o punho erguido. "Eu lembro daquela voz dentro da minha cabeça, que é a minha própria voz, dizendo bem alto: eu quero isso."

Depois veio a conversa com os pais, e ele foi negociar com prazo e cláusula de saída. Disse a eles que sempre poderia voltar a estudar depois, que sempre poderia reavaliar a própria vida aos 25 anos e retomar a escola, mas que precisava dar uma chance àquilo primeiro. Ao contar, ele mesmo acha estranha a cena de um moleque de 12 ou 13 anos falando assim.

Sobre os pais, escolhe as palavras com cuidado e diz que chamar de apoio talvez não seja exato. Eles foram, antes de tudo, pacientes, tolerantes e compreensivos, e um pouco alheios também, com um garoto se expressando com baquetas num instrumento muito alto dentro do quarto, onde a banda ainda por cima ensaiava.

Na véspera de completar 25 anos, Dave ligou para os pais. Naquele momento, ele era um dos headliners do Modern Drummer Festival, tocando para mais de duas mil pessoas e dividindo o cartaz com bateristas que eram heróis dele, gente como Terry Bozzio e Ginger Baker. O prazo que tinha dado a si mesmo chegou, e não foi preciso reavaliar nada.

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