
Eddie Vedder abriu o coração sobre o dia em que soube da morte de Kurt Cobain, em abril de 1994. O que ele contou vai de um quarto de hotel em pedaços a uma conversa reservada com o presidente dos Estados Unidos.
No começo, a relação não era das melhores. Kurt Cobain criticava publicamente o Pearl Jam, dizia que a banda era comercial demais. Vedder nunca fingiu que a tensão não existiu. "Eu provavelmente concordava com algumas das coisas que ele falou", admitiu, anos depois. Pra ele, o incômodo era mais o barulho público em volta do que uma briga de verdade. "Sempre senti que era tipo a gente contra o mundo, a nossa cidade contra o mundo. Não a nossa banda contra outra banda. Existia uma cena de verdade ali, e eu sempre fui grato por isso."
Quando a notícia chegou, na primavera de 1994, Vedder estava num quarto de hotel. "Eu destruí o lugar todo em pedaços. Depois só sentei nos escombros, e de algum jeito aquilo parecia certo, como o meu mundo naquele momento."
O que veio depois é quase surreal. No dia seguinte à morte de Cobain, o Pearl Jam tinha uma visita marcada à Casa Branca. Bill Clinton apareceu de moletom do Arkansas, tirou uma foto com a banda no Salão Oval e, a certa altura, pediu que esvaziassem a sala para conversar a sós com Vedder. Segundo pessoas próximas à banda, o presidente perguntou se deveria fazer um pronunciamento à nação sobre a morte de Cobain. Vedder disse que não fizesse.
Dias depois, no Saturday Night Live, veio a homenagem silenciosa: ao fim do programa, com a banda e o elenco no palco, Eddie abriu a camisa e revelou um "K" desenhado sobre o coração.
Faltavam quatro shows na turnê, e ele confessou que quase não os fez. "Não achei que a gente devia tocar o resto. Mas vou terminar, parece o melhor a fazer pela gente e por quem vem aos shows. Depois disso, talvez a gente não toque por muito tempo."
Por trás de toda a rivalidade contada pela imprensa, o que ficou foi o afeto. Vedder lembrou de uma cena no Japão, num parque em Tóquio cheio de bandas cover, onde havia até um "Kurt japonês", de cardigã e all star, fazendo pose sombria entre uma música e outra. "Eu só queria dizer pra ele: o Kurt não é triste assim. Ele é uma pessoa boa, ele é engraçado." E completou: "Foi o suficiente pra eu lamentar profundamente tudo o que aconteceu, e queria que não tivesse acontecido."
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