
O verão de 1990 pegou Jeff Ament sem banda, sem emprego e com a relação estremecida com Stone Gossard.
Jeff tinha pedido demissão pouco antes de Andrew Wood morrer, achando que a banda ia sair em turnê. Foi o último dos integrantes a largar o emprego, e de repente estava sem os dois, com um disco ainda para promover e nenhuma forma de pagar as contas. Pegou turnos num restaurante, fez bico do que aparecia e chegou a trabalhar no bufê de um show do Paul McCartney no Kingdome. "Eu falava: talvez eu volte pra faculdade no outono. Não sei o que estou fazendo."
Enquanto isso, Stone tinha começado a tocar com Mike, e Jeff ficava sabendo por terceiros. Ele e Stone saíam com amigos para longas pedaladas pela cidade, falavam um pouco do Mother Love Bone e nada da música nova. Havia mágoa no meio. O último ano do Mother Love Bone tinha sido disfuncional, o primeiro contato deles com a pressão de uma gravadora grande. "A gente fez um disco de duzentos mil dólares e estava quebrado", resumiu. Todo mundo tinha parado de pensar na arte e começado a pensar em como ia ser pago, em direito autoral, nessas coisas.
Quem trouxe Jeff de volta foi outra banda, uma paralela. Ele e um amigo chegavam uma hora antes do ensaio só para tocar por cima de discos de Prince e de funk, e depois tentavam levar aquele suingue para músicas de AC/DC. Foi ali que ele se apaixonou por tocar de novo, e na mesma época Mike apareceu com o convite.
Mike insistiu. "Eu falei: a gente tem que trazer o Jeff pra banda", contou. "O que vocês fizeram nessa cena, os discos que vocês lançaram, a arte que vocês fizeram, e você é um baixista foda. Vocês são perfeitos juntos." Como havia tensão entre Stone e Jeff naquele momento, Mike admite que quase enlouqueceu tentando. Deu certo porque os dois se sentaram e puseram tudo na mesa. Stone disse o que precisava dizer sobre seguir em frente como sócios, e Jeff disse a parte dele: você não pode me excluir da composição, eu escrevia música antes de você.
Esse acerto virou o princípio do que a banda seria. "O sentimento predominante no começo do Pearl Jam era: vamos cobrir o máximo de terreno possível", disse Jeff, mesmo com o limite do tanto que sabiam tocar. Por isso empurraram uma música como Oceans para dentro do Ten, para deixar uma porta aberta e não chocar ninguém se o disco seguinte fosse por ali. A ideia era arrumar a mesa para crescer na direção que quisessem, e ele diz que essa conversa continua até hoje.
Foi naquela fase, no sótão da casa dos pais do Stone, que Mike soube que tinha algo ali. Estavam tocando o final de Black, e Stone disse que ouvia uma parte, mais ou menos assim, e mostrou. "Foi aí que eu soube. Aquilo era mágica."
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