
O vocalista contou que o tratamento desigual da gravadora Epic nos anos 90 deixou marcas que três décadas não conseguiram apagar.
Chris Barron, vocalista dos Spin Doctors, revelou num podcast do Rolling Stone que, passados mais de trinta anos, ainda tem dificuldade de ouvir Pearl Jam. Não é birra com a música: é resquício de uma relação corroída com a Epic Records no início dos anos 90.
Ambas as bandas estavam no mesmo selo naquele período. Em 1991, os Spin Doctors lançaram Pocket Full of Kryptonite (que incluía o hit "Two Princes") e o Pearl Jam lançou Ten. O álbum do PJ foi um fenômeno, vendendo mais de 13 milhões de cópias só nos EUA. E a Epic direcionou toda a sua energia promocional para lá.
"Eu ainda não consigo ouvir Pearl Jam", admitiu Barron. "Nada contra quem curte, mas eu simplesmente não consigo."
A descrição que ele faz das cidades em turnê é vívida e um pouco dolorosa. "Entrávamos numa cidade e naquelas épocas existiam esses jornalzinhos locais. Eu abria e havia uma página inteira com anúncio do show e do disco do Pearl Jam. Dos Spin Doctors, nada. Você entrava na loja de disco: um display enorme do Pearl Jam e um único exemplar do nosso. Era de enlouquecer."
O irônico é que o Pocket Full of Kryptonite não foi um fracasso. O álbum chegou ao 3º lugar nos EUA, ao 2º no Reino Unido e ao 5º na Alemanha. Foi um sucesso real. Só que ao lado do tsunami do Ten, pareceu pequeno.
O segundo álbum dos Spin Doctors, Turn It Upside Down, teve desempenho bem mais fraco. A banda se dissolveu em 1999, com reuniões posteriores. Barron ainda carrega o peso daquele mercado desproporcional, mesmo sabendo que, no fundo, o Pearl Jam também não pediu isso.
via Musikexpress
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