
Quando o Discogs desafiou Eddie Vedder a listar seus álbuns favoritos, ele passou uma semana inteira reformulando as escolhas.
Numa semana inteira de idas e vindas, Eddie Vedder montou para o Discogs uma lista de 13 álbuns que formaram quem ele é. O resultado não era previsível: nem todo fã esperava encontrar Jackson 5 e Talking Heads ao lado do Soundgarden e dos Pixies, mas é exatamente esse caldeirão que explica o Vedder. "Tenho algumas hesitações sobre isso porque pode desmistificar tudo", disse. "Nossas influências são quem somos".
A lista começa com Third Album (1970), do Jackson 5. Não é uma escolha óbvia pra alguém associado ao grunge de Seattle, mas faz todo sentido pra quem entende que Eddie cresceu ouvindo de tudo, muito antes de qualquer rótulo. Em seguida vêm The Beatles (1968), o Álbum Branco, e Tommy (1969), a ópera rock do The Who: dois discos que tratam o álbum como narrativa e não como coleção de singles, uma filosofia que claramente passou pra dentro do Pearl Jam.
O punk e o pós-punk aparecem em paralelo: Road to Ruin (1978), dos Ramones, e More Songs About Buildings and Food (1978), do Talking Heads, dois discos do mesmo ano e mundos opostos. Logo depois vem Daydream Nation (1988), do Sonic Youth, um dos discos mais influentes pra toda a geração que virou o rock alternativo dos anos 1990.
A Seattle pré-PJ tem três representantes: Screaming Life / Fopp (1987), do Soundgarden, e Mudhoney (1989), do Mudhoney, mais 13 Songs (1989), do Fugazi de Ian MacKaye, banda que não era de Seattle mas moldou a ética do rock independente da época. Jim O'Rourke entra com Insignificance (2001), escolha mais marginal e sofisticada que sinaliza curiosidade musical que vai muito além do grunge.
Nighthawks at the Diner (1975), do Tom Waits, rendeu um dos comentários mais bonitos de Eddie: "Gosto do fato de que você não consegue categorizar essa música. Quero criar uma frase no estilo Tom Waits sobre o Tom Waits: 'Tom Waits por nenhum homem'. Os sons parecem estar se transformando, e o resultado lembra um carro velho que precisa de ajuste. Você acaba com todos esses sons criando ritmo, e é a cama perfeita para uma voz". Por fim, a lista fecha com Surfer Rosa (1988), dos Pixies, e Vedder foi direto: "Os Pixies foram enormes para mim. Frank Black, ou Black Francis, como era chamado na época, tinha essa voz: ele simplesmente a soltava. Ele deixava rolar, e coisas estranhas aconteciam. Parecia não tanto rebelde, mas simplesmente livre".
A lista completa inclui ainda Various Artists, Music and Rhythm (1984), completando os 13 títulos que Vedder escolheu com relutância e honestidade.
via Rolling Stone Brasil
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